Destino: Júpiter, o Tártaro é o lugar onde está a maioria dos teus adversários, como fizeste a eles assim será feito a ti. Mas, larga o temor, pois já está realizado o que ainda não é. Sua ida a ele é inexorável.
Júpiter: O que está feito, está feito.
Surge a Mulher
Mulher: Saúdo-te, ó tirano, que está prestes a desaparecer. Com violência fundaste o teu império, por ela o perderá. Acaso, pensavas que a força produz algum direito, alguma garantia? Não vias que ao exercê-la contra o Saturno, estarias reservando para ti uma força superior a que empregaste contra o poder constituído? Ou ignoravas que todo tirano...
Júpiter: Cala-te, vil mortal, pois com os meus raios posso reduzir-te a nada! Quem pensas que és mulher para falar assim ao grande Júpiter? Eu que quase destruí a tua espécie, o que momentaneamente aliviaria o peso sobre Atlas, se não fosse a intervenção de Prometeu, agora não me estaria mostrando tua arrogância.
Mulher: Por que calaria aquela que, em silêncio, vagou pelo mundo, sem pai, ausente de sua pátria e tendo por companhia apenas o medo, a solidão e a perseguição? Existe algum medo que possa ainda me atingir? Teus raios e tuas ameaças não surtem efeito, porque como mortal já sofri todas as ameaças, Juno, tua esposa, é conhecedora disso. Então, não fecharei a minha boca, pelo contrário, sentirei o sabor da derrota das potestades, sorverei o seu gosto e folgarei, porque o meu vingador está próxmo a ti.
Destino: Mulher, cala-te, para não revelares ao tirano o que ainda não convém.
Mulher(saindo): Tens razão Destino, mas a proximidade da libertação me excita os sentidos, porém, devo conter-me.
Retorna o Poder
Poder: Que tens, ó Júpiter? Não conseguiste boas notícias do acorretando? E, quem é este ao teu lado?
Júpiter: Pergunta e mais perguntas, porque não me trazes soluções?
Poder: Porque não compete a mim esta tarefa. Tão-somente represento aquele que me detem. Tu, por enquanto...
Destino: Eu, o Destino, digo que boa é tua palavra, ó Poder, e te põe no seu devido lugar: não tomas partido de quem quer que seja, apenas o serve.
Poder ( com o braço nos ombros do Destino): Verdade, não tomo partido de ninguém, apenas sirvo ao vencedor.
Destino: Ou ao contrário: se serve dele.
Poder: São tuas estas palavras...
Júpiter: Junte-se a mim, ó Poder, e com meus aliados defendamos a minha causa! Que estou falando! Tu te portas com neutralidade enquanto os loucos lutam por ti. Não podes escolher um lado, apenas serví-lo, se mantém a conquista. Então, concluo que tu és escravo.
Poder: Que todos, mortais e imortais, cobiçam. Lembra-te das palavras do Destino, elas definem minha natureza.
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