Agenor é um assumido. Não, não há aqui nesta afirmação nenhuma conotação sexual; ele é um careca xiita, daqueles, bem ortodoxo. Pode-se dizer que se pudesse fundir um judeu ultra-ortodoxo com o mais radical dos islâmicos, sairia Agenor, o ultra-ortodoxo radical careca, que super-bem resolvido com a sua escassez capilar não aceita os eufemismos que as pessoas usam quando precisam se referir a sua cabeça, diz logo: Sou careca. A sua assunção da carequice é tamanha que participa de comunidades do Orkut do tipo: Sou careca, e daí?, Os carecas vão dominar o Mundo, Carecas Lindos e outras do gênero, tendo o cuidado de nem clicar naquelas que fazem referência a opção de ser careca, para ele a falta de cabelos não é uma escolha, é um dom sublime que somente aqueles iniciados nessa irmandade conseguem apreender o seu significado.
Tal qual um mestre que ensina aos seus discípulos, Agenor sana as dores e dúvidas dos neocarecas. Ele compreende que para alguns homens que sucumbem as exigências dos padrões de beleza atuais, que induzem a se pensar que um belo cabelo é sinônimo de dinheiro, fama, mulheres, além de outras benesses precisam ser orientados a ver o mundo com outro olhar, de um sem-cabelo. Sua tarefa, árdua que é, consiste em mostrar aos neófitos que há vida pós-calvície. Diz-lhes que o que importa é manter a auto-estima bem elevada, seguindo com a vida, pois nada mudará, isto é, somente o uso do pente será desnecessário e se economizará mais em xampus; no mais tudo ficará como antes. Um questionamento muito freqüente é com relação ao chamado sexo oposto. Sua ação é mostrar que a mulher quer um homem carinhoso, amigo, companheiro, resolvido e que tenha certos centímetros do seu corpo funcionando bem!
Agenor vivia essa vida que pregava com todas as suas forças desde os vinte e cinco anos, mas, a vida é como dizem os jogadores de futebol, uma caixinha de surpresas. Uma dessas surpresas bateu-lhe forte. Seu nome é Aninha. Vinte e um aninhos, corpinho meio violão; uma estudante que sempre passa em frente a sua banca de jornal, dá uma paradinha, fila as notícias e meneia a cabeça encabulada com os olhares dele. Diante disso, viu Agenor suas convicções caírem por terra porque aquela gata pareceu-lhe tão distante, quase inalcançável! De repente aquilo que era sua maior glória: ser careca tornou-se, ante suas inseguranças um fator desestabilizador, porque não conseguia traduzir em palavras o desejo que sentia por ela, elegeu a careca como a culpada de tudo. Então, cada vez que a via sentia-se mais e mais compelido a buscar um a solução para o que agora era o seu problema. Assim, certa vez foi trabalhar de boné; um dia passou em uma loja de perucas e comprou uma prótese capilar, mas não usou. Mas, o derradeiro feito foi consultar um dermatologista para tentar erradicar o seu antes objeto de orgulho.
De olhar em olhar, Agenor conseguiu chamara atenção de Aninha. Entre uma conversa e outra, se entenderam e iniciaram um relacionamento. Teve sua careca várias vezes beijada, acariciada e, até, elogiada por sua amada que desencucou e prometeu não mais entrar em parafuso por que pertence a irmandade dos carecas, voltando com toda a força a ser o guru dos afortunados pela queda capilar. Ele voltou a acreditar que é dos carecas que elas gostam mais, que ser careca é tudo! E abominou o período em que, por fraqueza, renegou a sua espécie, sua classe, e como um religioso penitente fez inúmeras promessas, nas quais estava explícito que não mais voltaria a cair no pecado de pensar que sua careca seja algum impedimento para ele; viu que beirando aos quarentas, uma gatinha de vinte e um anos, enxergou o que ele na teoria apregoava: que os carecas são demais! Por isso descontando o tempo em que a crise se instalou nele, voltou aportar-se muito bem com a sua condição, seguindo a tradição e o orgulho de ser um desprovido capilar, de fazer parte dessa irmandade dispersa pelo mundo que engloba muitos homens e uma minoria de mulheres dotadas desse inefável dom. Entretanto, agora sabendo que embora seja o mestre dos carecas também possui fraquezas e contradições como todo ser humano, podendo com isso compreender melhor as aflições dos seus irmãos. Agora, Agenor pensa que com Aninha fica bem mais fácil levar a carga de seus discípulos. Agenor é só alegria!
Tal qual um mestre que ensina aos seus discípulos, Agenor sana as dores e dúvidas dos neocarecas. Ele compreende que para alguns homens que sucumbem as exigências dos padrões de beleza atuais, que induzem a se pensar que um belo cabelo é sinônimo de dinheiro, fama, mulheres, além de outras benesses precisam ser orientados a ver o mundo com outro olhar, de um sem-cabelo. Sua tarefa, árdua que é, consiste em mostrar aos neófitos que há vida pós-calvície. Diz-lhes que o que importa é manter a auto-estima bem elevada, seguindo com a vida, pois nada mudará, isto é, somente o uso do pente será desnecessário e se economizará mais em xampus; no mais tudo ficará como antes. Um questionamento muito freqüente é com relação ao chamado sexo oposto. Sua ação é mostrar que a mulher quer um homem carinhoso, amigo, companheiro, resolvido e que tenha certos centímetros do seu corpo funcionando bem!
Agenor vivia essa vida que pregava com todas as suas forças desde os vinte e cinco anos, mas, a vida é como dizem os jogadores de futebol, uma caixinha de surpresas. Uma dessas surpresas bateu-lhe forte. Seu nome é Aninha. Vinte e um aninhos, corpinho meio violão; uma estudante que sempre passa em frente a sua banca de jornal, dá uma paradinha, fila as notícias e meneia a cabeça encabulada com os olhares dele. Diante disso, viu Agenor suas convicções caírem por terra porque aquela gata pareceu-lhe tão distante, quase inalcançável! De repente aquilo que era sua maior glória: ser careca tornou-se, ante suas inseguranças um fator desestabilizador, porque não conseguia traduzir em palavras o desejo que sentia por ela, elegeu a careca como a culpada de tudo. Então, cada vez que a via sentia-se mais e mais compelido a buscar um a solução para o que agora era o seu problema. Assim, certa vez foi trabalhar de boné; um dia passou em uma loja de perucas e comprou uma prótese capilar, mas não usou. Mas, o derradeiro feito foi consultar um dermatologista para tentar erradicar o seu antes objeto de orgulho.
De olhar em olhar, Agenor conseguiu chamara atenção de Aninha. Entre uma conversa e outra, se entenderam e iniciaram um relacionamento. Teve sua careca várias vezes beijada, acariciada e, até, elogiada por sua amada que desencucou e prometeu não mais entrar em parafuso por que pertence a irmandade dos carecas, voltando com toda a força a ser o guru dos afortunados pela queda capilar. Ele voltou a acreditar que é dos carecas que elas gostam mais, que ser careca é tudo! E abominou o período em que, por fraqueza, renegou a sua espécie, sua classe, e como um religioso penitente fez inúmeras promessas, nas quais estava explícito que não mais voltaria a cair no pecado de pensar que sua careca seja algum impedimento para ele; viu que beirando aos quarentas, uma gatinha de vinte e um anos, enxergou o que ele na teoria apregoava: que os carecas são demais! Por isso descontando o tempo em que a crise se instalou nele, voltou aportar-se muito bem com a sua condição, seguindo a tradição e o orgulho de ser um desprovido capilar, de fazer parte dessa irmandade dispersa pelo mundo que engloba muitos homens e uma minoria de mulheres dotadas desse inefável dom. Entretanto, agora sabendo que embora seja o mestre dos carecas também possui fraquezas e contradições como todo ser humano, podendo com isso compreender melhor as aflições dos seus irmãos. Agora, Agenor pensa que com Aninha fica bem mais fácil levar a carga de seus discípulos. Agenor é só alegria!
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