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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Leonel

Leonel caminha pela calçada, leva consigo a placa de homem sanduíche, já é fim de tarde e ele deixa mais um dia de trabalho e cansaço para trás. Bem, o cansaço fica com ele, se juntando, no dia seguinte, a mais um dia de outdoor ambulante e outro cansaço. Leonel vive assim há cinco anos; sempre em uma calçada anunciando de tudo. De restaurante a quilo a compra de ouro; de roupas íntimas a cursos vários e acreditem até termas já passaram por suas costas e barriga. Às vezes, lhe dá uma revolta e pensa em largar tudo; quer um emprego melhor, mas vem a necessidade e não consegue, resignando-se em ser o que não quer mais ser. Ele olha as pessoas passando, cada uma com seus pensamentos e, talvez, problemas e se assusta com o individualismo a que estão submetidos. Não se reconhece nelas e sente que elas sentem o mesmo em relação a ele. Pensa consigo mesmo: Eta, que vida dura!
Leonel gosta de observar quem passa a sua volta. O seu desejo é se tornar escritor, mas tem preguiça de ler e busca em sua microrrealidade o possível suporte para fazer acontecer o escritor que vive em seu interior. Porém, sabe que isso é insuficiente. A leitura que faz dos rostos e corpos que cruzam o seu caminho acrescenta pouca coisa à sua vontade de escrever. Limita-lhe ainda mais o seu parco vocabulário, pois olhares de reprovação, bons dias arrastados, paqueras inusitadas e impedidas são apenas o sintoma de que por dentro o seu sonho está moribundo.
Certa vez, Leonel quase morreu. E, com ele morreriam os livros que acalenta como filhos. Em sua calçada, houve um assalto; correria, gritos, tiros e dois homens mortos e uma bala de raspão que feriu sua cabeça. Seria trágico se ele morresse, porque para Leonel vale aquela máxima de que um homem está completo quando escrever um livro, plantar uma árvore e tiver um filho. Bem, um filho já tivera. Maria Adelaide, a menina que trabalhava na pastelaria do Xing, lhe dera trela e depois de algumas conversas e beijos e uma boa transa num motel, o nascimento de Paulinho resolveu esta questão, apesar da pensão alimentícia. Pela natureza, demonstrava certo desprezo, então, se dependesse de plantar uma árvore para se completar, ele nunca chegaria esse estágio. Via que somente lhe faltava o livro para se sentir assim.
Trabalhando nessa calçada, o escritor em potencial viveu muitas outras “aventuras” além das que foram expostas. Um dia Leonel amanheceu meio, digamos diarréico. Imagina um homem sanduíche indo correndo ao banheiro? Sei que é meio escatológico, mas, merece registro. Estava nosso amigo exercendo sua função quando de repente sentiu aquela vontade incontrolável de ir ao banheiro, ou no dizer, popular de soltar um barro. Foi uma vontade inegociável, daquelas que nem se tem tempo para pensar. E, embora respondesse prontamente não se livrou do inconveniente de se sujar todo. Na pressa, correndo largara tudo pelo chão, sentou-se no vaso, abaixou a calça, esquecendo-se, entretanto, de fazer o mesmo com a cueca. Outra que lhe aconteceu foi a quase surra que levou de um homem que devia a um agiota. Estava lá Leonel de outdoor quando pego pela gola da camisa por um sujeito totalmente descontrolado, recebeu um monte de ofensas e ameaças só por que estava anunciando o mesmo agiota que fizera o mesmo com devedor, isto é, o sujeito descontrolado que pagou coma idêntica moeda a... Leonel. Ao agiota o devedor pagou com dinheiro.
Nosso Leo, apesar disso tudo, mantém a esperança e o desejo de ser um escritor. Crer ele que possui histórias e casos (reais ou imaginários) passíveis de serem postas no papel - para ele o computador ainda é um tabu – somente falta-lhe a coragem de sentar e dar liberdade à criação e ao talento que julga ter. Por isso, como um vouyer vive a espreitar vidas alheias aguardando dessa prática, conseguir subsídios para historiá-las como elas são e como não são. Por causa desse posicionamento já foi até chamado de fofoqueiro por pessoas que não querem entender como um outdoor-man possa querer ocupar um lugar que pensam ser tão-somente para os “letrados”. Para tais gentes, Leonel, não chegaria aos pés dos autores de livros e novelas, os quais mesmo afirmando que muitas vezes retiram matéria-prima de sua vivência e da dos outros são colocados em um pedestal fora do alcance dele. Mas, Leonel não desiste, apenas pensa: Eta, que vida dura!

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