Certa vez, li, numa comunidade do Orkut direcionada a judeus, severas críticas e acusações ao judaísmo messiânico, aos seus seguidores, aos evangélicos e ao próprio Novo Testamento. Não vou aqui levantar severas críticas ou acusações aos judeus nem questioná-los quanto à sanidade psicológica ou se tem enraizado dentro deles Lei. Visto que não é esse o meu foco, porque não me interessa usar os mesmos argumentos que alguns membros dessa comunidade orkutiana.
Destes citarei duas acusação que fazem aos judeus que crêem em Yeshua: possuem problemas psicológicos e desconhecem a Torá. Bem, gostaria de saber quais as bases que essas pessoas possuem para levantarem tais acusações. Será, que se fundamentam em Paulo, nós somos loucos por amor de Cristo (I Co 4.10) ? Ou será que todo judeu que descobre ser Yeshua o Messias é analisado por uma junta médica em sua sinagoga e depois expulso por ser portador de perturbações psicológicas? Pelo visto, é o que parece, pois essa acusação: tem problemas psicológicos é o argumento mais utilizado para, não questionar a fé, mas para atacar a pessoa no seu mais elementar direito: viver a sua fé. Pois, ao tachá-la assim, presumidamente, estaria chamando de incapaz àquele que até então era alguém que possuía as mesmas capacidades que o acusador diz manter em si porque não crer em Yeshua. Não seria este um caso de aviltar o seu semelhante e mais ainda, de um manifestar um preconceito explícito contra o outro? Bem, se for assim, observamos que a apologia da fé, na comunidade citada, do judaísmo, passa bem próximo, se não toca, o desrespeito pela pessoa humana.
O desconhecimento da Torá é apontado como uma das causas que levam o judeu a crer em yeshua. Ora, como eu vou averiguar se um sujeito conhece ou não conhece algo se eu não estou em seu interior. Além disso, conhecer a Torá não significa que o religioso não possa se desviar da verdade. Moisés deu a Lei às doze tribos, mas elas se desviaram dos caminhos do Eterno. Atrocidades e atrocidades ocorreram na Antiguidade no meio do povo de Israel mesmo este tendo a Torá. Até que foi levado ao cativeiro e à dispersão pelo motivo de ter se afastado dos ensinos da Lei. Ora, a suma do que escrevo é que conhecer a lei não significa nenhuma garantia para o conhecedor, se este não aplicá-la em sua vida. Então, levantar acusações levianas contra um seu semelhante sem prova cabal e inequívoca é transgredir a própria essência da Torá. Afirmar que o judeu que crê em Yeshua não conhece a Torá é, no mínimo, um puro exercício de preconceito baseado no seu achômetro pessoal que a tudo tenta enquadrar no padrão construído por si mesmo, que tem a si mesmo como padrão, para julgar o próximo que não se encaixaria, no seu ponto de vista, na imagem perfeita de conhecedor da Torá que é a si mesmo. Este tipo de procedimento não deixa margem para ver que aquele que é julgado pelo que se julga padrão dos conhecedores da Lei pode ter outra interpretação do que MOISÉs escreveu, porém dentro da verdade que D’us levantaria um profeta semelhante a ele(Moisés) e que a esse profeta deveriam ouvir e que Yeshua é esse profeta, o Messias de Israel.
Há no livro de Atos dos Apóstolos uma passagem na qual Estevão diante do sinédrio defende a sua fé. Em certo momento, o diácono afirma que Jacó foi para o Egito com 75 almas. Textualmente, ele disse:
E José mandou chamar a seu pai Jacó, e a toda a sua parentela, que era de setenta e cinco almas. (At 7.14).
Este versículo é um dos pontos em que o Novo Testamento é atacado quanto a sua inspiração. Baseando-se em Gênesis, onde é dito que o patriarca levou consigo 70 almas, tentam destruir a inspiração de Atos devido ao suposto acréscimo de 5 vidas à quantidade que foi para o Egito.
Todas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram dos seus lombos, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas. E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, eram setenta. (Gn 46.26,27).
Uma leitura superficial e eivada de preconceitos leva necessariamente a “descoberta” que Estevão errou ao precisa a quantidade de almas seguiu ao pai Jacó quando este se foi para o Egito, que poria em xeque a inspiração divina do livro de Atos. Entretanto, se for levada em conta esse suposto erro, também deveria ser a anuência, a aceitação dele pelo sinédrio que em momento algum fez a correção ao diácono. Ou os componentes do tribunal não conheciam a Torá ou foram coniventes com o hipotético engano de Estevão. Com certeza o sinédrio não compactuou com o suposto acréscimo de 5 almas, pelo contrário ele compreendeu que o que estava sendo discorrido ali era a quantidade estabelecida na LXX (Septuaginta) para Gênesis 46.27, Deuteronômios 10,22 e Êxodos 1.5. Mas, como não acusar os componentes do sinédrio de agirem contrariamente Às Escrituras e não acusar Estevão e não negar a inspiração divina do livro de Atos se supostamente este perverteu a palavra de D’us? Deuteronômio 4,2; 12,32; Salmos 12,6-7 e Provérbios 30,6 proíbem que se acrescente ou retire algo da Palavra de Deus. Num olhar sem preconceito é possível ver que o sinédrio não se levantou em defesa da Torá quando Estevão disse que Jacó foi para o Egito com 75 pessoas. Mas, sim, quando foi (o Sinédrio, não a Torá) confrontado por ele no que concernia a Yeshua e ao fato de não ser por eles recebido, e ser assassinado do mesmo modo que seus predecessores, os profetas (At. 7,51-53). Notemos que ficaram caladinhos da silva quando Estevão se referiu às 75 almas, mas pularam quando falou de Yeshua e lançou-lhes no rosto a verdade: A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas; (At 7.52). Assim, não questionaram a quantidade dada por Estevão.
A discrepância entre Gênesis 46.26,27 e Atos 7.14 é explicada pela versão utilizada por Estevão a LXX que possui 5 nomes a mais que o texto massorético hebraico. Devemos conjugar às vezes, na interpretação de um texto também aspectos históricos, além de outros elementos que possam ajudar a elucida quaisquer dúvidas, para não se fazer injustiças. É o que parece acontecer neste caso quando se analisa o discurso de Estevão sem esse cuidado. Pois se não encontraremos muitas “contradições” na Bíblia. Abaixo segue uma lista da alma que foram para o Egito com Jacó. Gênesis 46.26; 27. No primeiro versículo citado temos queTodas as almas que vieram com Jacó ao Egito, que saíram dos seus lombos, fora as mulheres dos filhos de Jacó, todas foram sessenta e seis almas. Eis, a contagem dessas almas.
Contando:
01.Rubem (filho);
02.Enoque (neto);
03.Palu (neto);
04.Hezrom (neto);
05.Carmi (neto);
06.Simeão (filho);
07.Jemuel (neto);
08.Jamim (neto);
09.Oade (neto);
10.Jaquim (neto);
11.Zoar (neto);
12.Saul (neto);
13.Levi (filho);
14.Gérson (neto);
15.Coate (neto);
16.Merari (neto);
17.Judá (filho);
18.Er (neto)- morto em Canaã;
19.Onã (neto)- morto em Canaã;
20.Selá (neto);
21.Perez (neto);
22.Zera (neto);
23.Hezrom (bisneto);
24.Hamul (bisneto);
25.Issacar (filho);
26.Tola (neto);
27.Puva (neto);
28.Jó (neto);
29.Sinrom (neto);
30.Zebulom (filho);
31.Serede (neto);
32.Elom (neto);
33.Jaleel (neto);
34. Gade (filho);
35. Zifiom (neto);
36. Hagi (neto);
37. Suni (neto);
38. Esbom (neto);
39. Eri (neto);
40. Arodi (neto);
41. Areli (neto);
42. Aser (filho);
43. Imna (neto);
44. Isvá (neto);
45. Isvi (neto);
46. Berias (neto);
47. Será (neto); - irmã deles.
48. Héber (bisneto);
49. Malquiel (bisneto);
50. Benjamim (filho);
51. Bela (neto);
52. Béquer (neto);
53. Asbel (neto);
54. Gera (neto);
55. Naamã (neto ou bisneto);
56. Eí (neto);
57. Rôs (neto);
58. Mupim (neto);
59. Hupim (neto);
60. Arde (neto ou bisneto);
61. Dã (filho);
62. Husim (neto);
63. Naftali (filho);
64. Jazeel (neto);
65. Guni (neto);
66. Jezer (neto);
67. Silém (neto)
68. Diná (filha)
Total = 68 – 02 que morreram = 66 que vieram para o Egito.
Gn 46:26 diz: "Todos os que foram para o Egito (Er e Onã morreram em Canaã) com Jacó, todos os seus descendentes, sem contar as mulheres de seus filhos (Diná era filha e não nora), totalizaram sessenta e seis pessoas".
Se continuarmos a contagem teremos: E os filhos de José, que lhe nasceram no Egito, eram duas almas. Todas as almas da casa de Jacó, que vieram ao Egito, eram setenta. (Gn 46.27)
66. +
67. Manassés (filho de José no Egito)- conforme vs.27 na NVI;
68. Efraim (filho de José no Egito) - conforme vs.27 na NVI;
Jacó soma os dois filhos de José que nasceram no Egito aos que entraram neste país. Então, temos 68 almas, adicionando Jacó e José, perfazendo um total de 70 pessoas. Mas, por que no texto citado por Estevão estavam 75 almas? Porque ele citava a Septuaginta e não o texto massorético. Tendo em mente que nessa versão José e Jacó não são contados e aparece que José teve 9 filhos - na Septuaginta - (Gn 46.26). Então, se usarmos essa tradução somando e o número de filhos de José ao de Jacó, encontraremos 66 +9 (incluindo Manassés e Efraim) + 75. Disso tudo, podemos ver que não houve um erro ou uma negativa da inspiração do livro de Atos pelo fato de ter sido citada outra quantidade de almas que acompanharam Jacó ao Egito, mas sim, o uso de versões diferentes do mesmo assunto. E para fechar o tópico é necessário saber, que possivelmente Manassés e Efraim são citados como filhos de Jacó devido a sua importância para a historicidade dele. Em Gn 48. 5, temos: Agora, pois, os teus dois filhos, que te nasceram na terra do Egito, antes que eu viesse a ti no Egito, são meus: Efraim e Manassés serão meus, como Rúben e Simeão;isto reforça o fato que possivelmente os outros filhos de José poderiam ter nascido depois desse evento.
Obs. Não há nesse texto nenhum conteúdo antijudaico ou antissemita ou contra qualquer grupo étnico ou religião especifica.
Jesus não é um detalhe, todos precisam dele!!!!!!
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